Sempre que o homem executa mudanças no meio natural, como conseqüência ele sofre alterações, pois existe uma sincronia entre o homem e a natureza. Muitas vezes as perturbações feitas impossibilitam habitar naquele espaço, pois a degradação comprometeu os fatores bióticos e abióticos para a sua existência naquele local. Fazendo uma exposição do que vem a ser qualidade de vida, demonstrando elementos fundamentais relacionados com o meio ambiente e a escala de valores de nossa cultura ocidental, verifica-se que a saúde ambiental é um pré-requisito para a saúde humana.
Uma cidade só será saudável se primeiramente for sustentável, segundo Coimbra (2002), existem indicadores de sustentabilidade que podem ser relacionados como indicadores da qualidade ambiental (qualidade do ar, água, paisagem urbana, destinação de resíduos sólidos, condições meteorológicas, saneamento, realidade local de cada cidade); indicadores da ocupação e uso do solo e do espaço social (desenho das novas ocupações, revisão das ocupações anteriores, sinalização urbana adequada, áreas seguras parar lazer ativo e contemplativo, reserva de espaços para ampliações e reconstituição de espaços naturais); indicadores da qualidade social (segurança contra riscos urbanos,isto é, existência de calçadas, galerias pluviais, leitos carroçáveis, instalações elétricas e cabos, segurança contra riscos policiais, minimização do estresse e das tensões urbanas mediante elementos nocivos, isto é, poluição sonora e visual, preservação da memória da cidade, cuidado com logradouros, equipamentos de lazer, promoção de eventos esportivos, programas de educação e saúde, união entre poder público e cidadãos).
Mediante o que foi exposto, pode-se concluir que a qualidade de vida urbana é muito complexa, não avaliada e dimensionada por uma única variável , mas pela inter-relação entre muitas variáveis, sendo o produto obtido.
Segundo Coimbra (2002), o ser humano é constituído de três tipos de vida: a vegetativa, a sensitiva e a racional, ou seja, uma vida com tripla função; os sentidos (visão, audição, olfato, gosto, tato) captam as informações recebidas e as transformam numa espécie de conhecimento, posteriormente sendo transformados em sensação, emoção, ação e reação. Sendo fenômenos de fundo orgânico, entrelaçados no temperamento de cada qual, repercutem nos diferentes sentimentos dos indivíduos, são transformações vitais de cada pessoa, em cada um com variações no grau de consciência.
Os sentidos ajudam no balizamento da qualidade de vida, existem necessidades que devem ser satisfeitas para que possíveis disfunções físicas e psicológicas não venham a ocorrer com a não satisfação dessas necessidades.
Souza (2003) demonstra um quadro sinótico ligeiramente adaptado e simplificado, extraído por Maderthaner de um trabalho anterior em co-autoria, demonstrando as diferentes necessidades, cada uma encerrando diversos aspectos específicos. Cada necessidade deve ser satisfeita em um ou vários domínios de uso e fruição: habitação, trabalho, circulação, diversão, consumo e eliminação de lixo e resíduos. Definindo parâmetros para a qualidade de vida num espaço urbano.
Necessidades | Aspectos Particulares | Passíveis conseqüências da não-satisfação |
1.Regeneração | Insolação, luz do dia, aeração, proteção contra barulho, espaços para atividades corporais, locais para a prática de esportes e brincadeiras | Esgotamento físico e psíquico, vulnerabilidade face a doenças, insônia, estresse, depressão |
2.Privacidade 3.Regeneração | Proteção da esfera privada, proteção contra roubos e assaltos | Raiva, medo, estresse, agressão, isolamento,atritos com vizinhos, fraca topofilia |
4.Funcionalidade 5. Ordem | Necessidade de espaço, conforto, senso de orientação | Raiva desperdício de tempo e dinheiro, desorientação, insatisfação com a moradia e a vida, fraca topofilia |
6.Comunicação 7.Apropriação 8.Participação | Conversas, ajuda dos vizinhos, participação e engajamento | Preconceitos e conflitos sociais, insatisfação com a moradia, vandalismo, segregação |
9.Estética 10.Criatividade | Aspectos dos prédios e fachadas, arruamento, presença de praças e parques | Fraca topofilia, insatisfação com a moradia, mudança de local, vandalismo |
Fonte: Souza (2003)
Analisando a cidade de Joinville, que esta passando por um grande crescimento, aumentando a densidade urbana, nível de poluição atmosférica, visual e sonora, problemas de segurança pública, mudança de vizinhança, redução da área de parques e praças por habitante, falta de arborização de ruas, problema na varredura de ruas e coleta de lixo, grave degradação ambiental aparente do espaço urbano (rio Cachoeira), concorrência pelo espaço em áreas centrais entre pedestres e automóveis, praticamente a inexistência de ciclovias e locais para práticas esportivas em locais públicos, invasão de áreas de preservação permanente (manguezais); devendo o poder público identificar e avaliar estes parâmetros, no sentido de melhorar a qualidade de vida nas habitações e do espaço urbano, através do uso e regulamentação do solo urbano, assim como obras que tenham como objetivo promover um melhor acesso a bens e serviços, o bem estar social e ambiental, e conseqüentemente saúde da população.
Nenhum comentário:
Postar um comentário