sábado, 27 de agosto de 2011

REFLEXÃO SOBRE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 
   Faço uma reflexão que se originou após vasto tempo acompanhando postagens, e que em muitas situações participei através de comentários. Sendo que de diversos blogs visitados, acabei por representar uma síntese aqui de dois deles. O blog Educação à distância, sendo que este inicia a reflexão abaixo e na sequência o blog de Ana Beatriz Gomes. Relato então a síntese das informações absorvidas, iniciando pelo blog Educação a distância.
   Verifica-se que milhares de estudantes estão matriculados em cursos EAD pelo Brasil, isto fomenta a apreciação da importância da EAD, assim como requer um controle no que se refere à questão da qualidade dos cursos ofertados. Conforme postagem feita no blog: educação à distância, a deputada federal Professora Dorinha (DEM/TO) apresentou requerimento à Comissão de Educação (CEC) que solicita a realização de audiência pública para debater os desafios da educação à distância no Brasil. Nosso país possui dimensões continentais, acredito que a EAD, possa promover um incremento de quantidade e qualidade na educação do nosso povo. Porém está educação deve ser de qualidade, para romper preconceitos e desta forma ofertar cursos a níveis de mestrado e doutorado. Fiz um comentário solicitando que a nobre deputada também debata a oferta de cursos de mestrado e doutorado, pois devida a atual situação em que me encontro, teria interesse real em fazer um doutorado em engenharia, na área de projetos, que acredito na plena possibilidade de um curso de qualidade EAD, através das ferramentas tecnológicas que possuímos.
   Outra postagem feita no blog, já mencionado, que possui como título: Educação a Distância- Falta de Tempo-Carreira Profissional, declara que há receio da sociedade principalmente a dificuldade da sociedade em aceitar os avanços tecnológicos do que aceitar a real eficácia do modelo. Afirma também que os benefícios e vantagens da EAD já se confirmam, e sugere investimentos nesta forma de educação. Disserta também sobre a questão de cursos internacionais, relatando que nos cursos internacionais, o interessado deverá passar por um processo seletivo, que usualmente avalia o nível de proficiência na língua que o curso será ministrado, normalmente o inglês, e análise do currículo. Ainda, será preciso realizar, ao longo do curso, cerca de duas viagens para concluir os estudos, isso nos casos de graduação e pós-graduação; os cursos livres já não são tão exigentes. No Brasil, as exigências são parecidas. Houve um período em que me interessei, sobre um doutorado na Espanha, na área de projetos de engenharia, havia um convênio desta instituição com uma instituição em nosso pais. Porém o problema é a validação deste diploma em nosso pais, desta forma resolvi aguardar uma oportunidade para iniciar um doutorado. Na sequência o texto continua repassando situações importantes como a visão empresarial e contrapartida com a carreira de um profissional, sobre os cuidados na escolha de um curso EAD, e finaliza com a educação a distância corporativa. Gostaria de acrescentar uma informação importante retirada de outra postagem, que pela previsão do MEC haverá até o final do ano um milhão de alunos matriculados em cursos EAD.
   Refletindo agora sobre as informações absorvidas do blog de Ana Beatriz Gomes, inicio com a postagem que possui como título; Finalizando a Disciplina Tópicos.
O texto comentava sobre um trabalho a ser apresentado na disciplina Tópicos em Tecnologias Educacionais – EAD. O desafio proposto para os alunos foi o seguinte: eles teriam que preparar uma aula, curso ou projeto, usando qualquer ferramenta que realmente fosse inovadora (ou apresentar uma proposta diferenciada para o uso de uma ferramenta já conhecida).  Achei interessante a forma de como se desenrolou o fechamento desta disciplina, e fiz um comentário. Outra postagem interessante que também fiz um comentário possuía o título. Seminário Redes Educativas e as Tecnologias. Este texto disserta sobre o uso das tecnologias na educação, como isto é visto e seus benefícios, meu comentário se referia a qual das três correntes meu pensar se enquadrava. Também parabenizei a autora do blog, devido à honra de escrever o prefácio de um livro do Professor Doutor João Mattar, livro que será lançado em Manaus na próxima semana (Tutoria e Interação em Educação a Distância).
   Gostaria de acrescentar ainda, mesmo que ele disserte sobre algumas postagens inseridas em dois blogs, foi o resultando de uma síntese de muitas informações e esclarecimentos sobre educação à distância (EAD) além de ter sido um instrumento que permitiu uma primeira aproximação com o mundo de pessoas e informações que estão presentes na internet, a disposição de quem tenha o interesse de aborda-las e filtra-las. Desta forma finalizo, declarando que a elaboração deste texto fez com que eu abrisse uma porta desconhecida.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

QUALIDADE DE VIDA

Sempre que o homem executa mudanças no meio natural, como conseqüência ele sofre alterações, pois existe uma sincronia entre o homem e a natureza. Muitas vezes as perturbações feitas impossibilitam habitar naquele espaço, pois a degradação comprometeu os fatores bióticos e abióticos para a sua existência naquele local. Fazendo uma exposição do que vem a ser qualidade de vida, demonstrando elementos fundamentais relacionados com o meio ambiente e a escala de valores de nossa cultura ocidental, verifica-se que a saúde ambiental é um pré-requisito para a saúde humana.
Uma cidade só será saudável se primeiramente for sustentável, segundo Coimbra (2002), existem indicadores de sustentabilidade que podem ser relacionados como indicadores da qualidade ambiental (qualidade do ar, água, paisagem urbana, destinação de resíduos sólidos, condições meteorológicas, saneamento, realidade local de cada cidade); indicadores da ocupação e uso do solo e do espaço social (desenho das novas ocupações, revisão das ocupações anteriores, sinalização urbana adequada, áreas seguras parar lazer ativo e contemplativo, reserva de espaços para ampliações e reconstituição de espaços naturais); indicadores da qualidade social (segurança contra riscos urbanos,isto é, existência de calçadas, galerias pluviais, leitos carroçáveis, instalações elétricas e cabos, segurança contra riscos policiais, minimização do estresse e das tensões urbanas mediante elementos nocivos, isto é, poluição sonora e visual, preservação da memória da cidade, cuidado com logradouros, equipamentos de lazer, promoção de eventos esportivos, programas de educação e saúde, união entre poder público e cidadãos).
Mediante o que foi exposto, pode-se concluir que a qualidade de vida urbana é muito complexa, não avaliada e dimensionada por uma única variável , mas pela inter-relação entre muitas variáveis, sendo o produto obtido.
Segundo Coimbra (2002), o ser humano é constituído de três tipos de vida: a vegetativa, a sensitiva e a racional, ou seja, uma vida com tripla função; os sentidos (visão, audição, olfato, gosto, tato) captam as informações recebidas e as transformam numa espécie de conhecimento, posteriormente sendo transformados em sensação, emoção, ação e reação. Sendo fenômenos de fundo orgânico, entrelaçados no temperamento de cada qual, repercutem nos diferentes sentimentos dos indivíduos, são transformações vitais de cada pessoa, em cada um com variações no grau de consciência.
Os sentidos ajudam no balizamento da qualidade de vida, existem necessidades que devem ser satisfeitas para que possíveis disfunções físicas e psicológicas não venham a ocorrer com a não satisfação dessas necessidades.
Souza (2003) demonstra um quadro sinótico ligeiramente adaptado e simplificado, extraído por Maderthaner de um trabalho anterior em co-autoria, demonstrando as diferentes necessidades, cada uma encerrando diversos aspectos específicos. Cada necessidade deve ser satisfeita em um ou vários domínios de uso e fruição: habitação, trabalho, circulação, diversão, consumo e eliminação de lixo e resíduos. Definindo parâmetros para a qualidade de vida num espaço urbano.
Necessidades
Aspectos Particulares
Passíveis conseqüências da não-satisfação
1.Regeneração
Insolação, luz do dia, aeração, proteção contra barulho, espaços para atividades corporais, locais para a prática de esportes e brincadeiras
Esgotamento físico e psíquico, vulnerabilidade face a doenças, insônia, estresse, depressão
2.Privacidade

3.Regeneração
Proteção da esfera privada, proteção contra roubos e assaltos
Raiva, medo, estresse, agressão, isolamento,atritos com vizinhos, fraca topofilia
4.Funcionalidade

5. Ordem
Necessidade de espaço, conforto, senso de orientação
Raiva desperdício de tempo e dinheiro, desorientação, insatisfação com a moradia e a vida, fraca topofilia
6.Comunicação

7.Apropriação

8.Participação
Conversas, ajuda dos vizinhos, participação e engajamento
Preconceitos e conflitos sociais, insatisfação com a moradia, vandalismo, segregação

9.Estética

10.Criatividade
Aspectos dos prédios e fachadas, arruamento, presença de praças e parques
Fraca topofilia, insatisfação com a moradia, mudança de local, vandalismo

Fonte: Souza (2003)
Analisando a cidade de Joinville, que esta passando por um grande crescimento, aumentando a densidade urbana, nível de poluição atmosférica, visual e sonora, problemas de segurança pública, mudança de vizinhança, redução da área de parques e praças por habitante, falta de arborização de ruas, problema na varredura de ruas e coleta de lixo, grave degradação ambiental aparente do espaço urbano (rio Cachoeira), concorrência pelo espaço em áreas centrais entre pedestres e automóveis, praticamente a inexistência de ciclovias e locais para práticas esportivas em locais públicos, invasão de áreas de preservação permanente (manguezais); devendo o poder público identificar e avaliar estes parâmetros, no sentido de melhorar a qualidade de vida nas habitações e do espaço urbano, através do uso e regulamentação do solo urbano, assim como obras que tenham como objetivo promover um melhor acesso a bens e serviços, o bem estar social e ambiental, e conseqüentemente saúde da população. 

QUALIDADE DE VIDA EM UMA HABITAÇÃO

Projetar e executar uma habitação é uma arte que necessita do conhecimento de características culturais, costumes e valores individuais e regionais. Esta arte deve promover práticas e métodos construtivos pró-ativos para o bem estar das pessoas que utilizem a habitação, a fim de satisfazer as necessidades e requisitos solicitados neste,  priorize a preservação da qualidade ambiental, visando a sustentabilidade e qualidade de vida.
É possível considerar um projeto como uma organização espacial com propósitos específicos, ajustada a diferentes normas, refletindo as necessidades, os valores e os desejos de pessoas projetando espaços e, desta maneira, representando a congruência entre a realidade física e a social. (FIALHO; GONTIJO, 1993, p. 622).
De forma mais específica, deve-se procurar respeitar requisitos fundamentais como: insolação, aeração, higiene, funcionalidade, proteção acústica e térmica, estética agradável, segurança, arborização e paisagismo, aproveitamento do espaço, criação de efeitos particulares quanto à utilização de luz natural e artificial, utilização de cores que possam transformar a percepção espacial de ambientes, assim como influenciar diretamente as pessoas quanto ao seu comportamento.
Gurgel (2004, p. 18), refere-se a uma habitação da seguinte forma:
A casa é onde dormimos, comemos, guardamos as nossas coisas que são importantes para nós, recebemos amigos, ou seja, onde vivemos e nos sentimos protegidos. O planejamento adequado dos diferentes ambientes de uma casa deve propiciar o acontecimento de todas essas atividades às quais a casa se destina. A casa não deve ser estática, pois nossa vida não o é. Somos seres em movimento e em constante evolução.
Fatores externos como, por exemplo, clima, topografia, costumes, estilos e usos diferenciados, determinam as características de uma habitação. Uma habitação pode promover uma boa qualidade de vida apesar de ser modesta, pois pode atender aos requisitos fundamentais abordados anteriormente. Não se deve confundir, desta forma, o nível de vida com a qualidade de vida. Uma habitação pode ser cara luxuosa, ou seja, de um padrão fino de acabamento, mas pode não ter sido elaborada levando em consideração requisitos que tragam um bom viver; assim como o recíproco pode ser verdadeiro.
Habitações projetadas para uma determinada região do país, oferecendo uma boa qualidade de vida para aquela região, podem não obter o mesmo resultado para uma outra região distinta, assim como diferentes soluções podem ser encontradas para a resolução de problemas de forma diversificada. Segundo Gurgel (2004, p. 18), “Paralelamente às necessidades culturais, as necessidades climáticas e topográficas de cada região evidenciam ainda mais a necessidade de diferentes soluções de projeto”.
Um bom projeto de uma habitação é complexo, pois deve permitir a interação de diferentes saberes, além de uma habitação possuir uma estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e esgoto, e uma concepção arquitetônica que seja criativa, funcional e garanta uma estética agradável; ela deve ser analisada de um outro ponto de vista, não somente técnico e exato , mas de uma forma humana e social, pois ela irá acomodar pessoas que irão interagir com ela, irão apropriar-se dela.
Nosso organismo funciona diferentemente no de correr do ano, do dia ou mesmo da hora. Luz natural, ventilação nos ambientes, umidade no ar, aquecimento nos dias frios, resfriamento nos dias quentes ou ainda escuridão para dormir, são algumas das necessidades do nosso organismo. Quando projetamos um ambiente ou uma casa, devemos levar em conta nossas necessidades biológicas e incluir soluções criativas e eficazes para um resultado agradável e confortável. (GURGEL, 2004, p. 46).
A utilização de cores numa habitação pode provocar diferentes sensações nas pessoas que a utilizam como, por exemplo, tornar um ambiente mais amplo ou restrito, seguro ou devassado, entre outros; produzem efeitos psicológicos e valorizam a beleza e psicológicos, provocando sensações de conforto, aquecendo ou esfriando um ambiente, alterando visualmente o tamanho e corrigindo falhas deste ambiente.
As paredes podem ser ferramentas de proteção, não somente de forma física, como proteção térmica através de sua espessura ou pela cor colocada sobre ela, pois as cores podem absorver ou refletir uma maior quantidade de calor, conforme a necessidade. Assim como fornecer proteção acústica, dependo de sua espessura ou da colocação de revestimentos, que podem permitir a reflexão ou absorção de ondas sonoras, conforme o desejado.
As portas, assim como as janelas, são peças fundamentais nos quesitos de privacidade, segurança, acesso, ventilação, iluminação, proteção às intempéries, contemplação de vistas ou paisagens e produzir um efeito decorativo.
Uma habitação deve estar posicionada em relação aos pontos cardeais, afim de que a insolação não comprometa a sua confortabilidade térmica, e o aproveitamento da iluminação natural.
A luz provida pelo sol da manhã é estimulante e energética. Ideal para os dormitórios, ajuda a estimular o começo do dia, alem de distorcer pouco as cores. Conforme o sol se põe, a energia do sol diminui e a luz torna-se mais amarelada, menos brilhante, distorcendo e amarelando muito as cores. (GURGEL, 2004, p. 227).
Uma habitação necessita de uma definição bem clara da disposição das áreas ou espaços dentro dela, possuindo uma circulação que interligue esses setores (social, íntimo e de serviço), a fim de promover privacidade e acesso fácil.
Gurgel (2004, p. 121), faz a referência a espaços sociais:
Os ambientes destinados a sociabilização devem ter uma atmosfera que propicie a convivência entre as pessoas, que estimule a conversação nos livings e que inspire o relaxamento e a concentração em salas de home theater. Estude a dinâmica das relações entre as pessoas que utilizarão o espaço, bem como o que elas esperam de seus ambientes.
Uma habitação deve possuir um equilíbrio entre a luz natural e artificial, pois uma completa a outra, associada com texturas e cores possibilita a criação de atmosferas e ambientes, permitindo estimular, relaxar, entristecer e aconchegar. Outro fator importante numa habitação, é a ergonometria.
Infelizmente, a condição de projetar e adequar uma habitação ao seu estilo de vida, incorporando nela a sua personalidade, não é uma realidade para todas as pessoas, simplesmente se acomodando da forma possível em um espaço carente de promoção de qualidade de vida, seu ou mesmo alugado.